← Início
Planejamento & Controle de Obras · Material de referência

O pico de 280 homens que o canteiro não tem

O cronograma não pede só prazo — pede gente. A curva de recursos que sai dele diz, antes de mobilizar ninguém, se o plano é fisicamente executável ou se tem um pico de efetivo que nenhum canteiro absorve. E o nivelamento tem um preço: prazo.


👷 Homem-hora · recursos 📚 Aldo · PMBOK · nivelamento 🔗 histograma de HH do Getsimplan
demanda de efetivo (Hh/mês)limite mobilizável
Cada barra é a mão de obra que o cronograma exige naquele mês. O pico no miolo da obra é onde tudo acontece ao mesmo tempo — e onde o plano frequentemente pede mais gente do que o canteiro comporta. A linha vermelha é o teto real de mobilização.
01

A curva de recursos do cronograma

Toda atividade consome homem-hora (Hh) — o produto do efetivo pelas horas trabalhadas. Distribuído ao longo das durações e somado por período, o Hh vira um histograma: quanto de mão de obra a obra exige, mês a mês. É a curva de recursos, e ela nasce do mesmo cronograma que gera a Curva S.

O histograma responde perguntas que o Gantt esconde: quantas equipes preciso no pico? o alojamento comporta? o fluxo de contratação e desmobilização é gerenciável? Um cronograma pode ser perfeito em lógica e impossível em recurso — e o histograma é onde isso aparece.

Hh integrado = esforço totalA área embaixo do histograma é o total de homem-hora da obra — o esforço que o orçamento previu. Se o realizado consome mais Hh que o previsto para o mesmo avanço físico, a produtividade está abaixo do planejado: gente trabalhando sem entregar proporcionalmente.
02

O pico impossível

O problema clássico: o cronograma, ao empilhar frentes em paralelo, gera um pico de efetivo que o canteiro não mobiliza — nem por espaço, nem por contratação, nem por gestão. Um plano que pede 280 homens numa semana e 90 na seguinte não é executável: mobilizar e desmobilizar assim custa caro e é operacionalmente inviável.

Antes de mobilizar, o histograma denuncia. Se o pico ultrapassa o efetivo máximo, o cronograma precisa ser nivelado — ou você descobre no canteiro, com a frente parada esperando gente que não veio.

03

Nivelar custa prazo

O nivelamento de recursos (resource leveling) suaviza o histograma para caber no efetivo disponível — atrasando as atividades com folga para preencher os vales em vez de estourar os picos. Arraste o teto de mobilização e veja o pico ser aparado — e o prazo se estender:

A barra dourada é a demanda original; a verde, o efetivo nivelado no teto. O que passa do teto transborda para os meses seguintes — e a obra se estende. Teto muito baixo = histograma liso, mas prazo longo. É o trade-off que o nivelamento explicita.
Pico original
demanda máxima
Meses extras
alongamento do prazo
Pico nivelado
teto escolhido
A ordem importaNivelar as atividades com folga preserva o caminho crítico — e o prazo. Nivelar tocando o crítico estende a obra. Um bom nivelamento gasta a folga primeiro; só empurra o término quando não há mais folga para consumir. O histograma mostra qual dos dois está acontecendo.
04

Nivelamento × balanceamento

leveling
Nivelamento

Respeitar um limite duro de recurso (só tenho 200 homens). Pode estender o prazo — o recurso manda. Usa a folga; quando acaba, empurra o término.

smoothing
Balanceamento

Suavizar o histograma sem estourar o prazo — usar apenas a folga disponível para tirar os picos. O prazo manda; o recurso se acomoda dentro dele.

Qual usarSe o gargalo é gente (não consigo mobilizar mais), nivele — e aceite o prazo que sair. Se o gargalo é prazo (a data é intocável), balanceie dentro da folga e, se o pico ainda não couber, aí sim é caso de crashing ou revisão de método. O histograma é o que diz qual dos dois você está enfrentando.

No seu dashboard

O Getsimplan deriva o histograma de homem-hora direto do trabalho das atividades do cronograma:

  • A curva de recursos mês a mês, com o pico de efetivo destacado — antes de mobilizar.
  • O Hh total (esforço) e o cruzamento com o avanço físico, para flagrar produtividade abaixo do previsto (Hh gasto sem físico proporcional).
  • Junto do caminho crítico e da folga, para você ver o que dá para nivelar sem tocar no prazo.

Sai do campo Trabalho das tarefas (ou das atribuições de recurso) do seu .mpp — sem redigitar efetivo em planilha.

Quero ver o efetivo da minha obra →
§

Glossário & referências

Homem-hora (Hh)
Unidade de esforço: efetivo × horas trabalhadas. A base do histograma de recursos.
Histograma de recursos
A demanda de mão de obra (ou equipamento) por período, somada das atividades do cronograma.
Nivelamento (leveling)
Ajustar o cronograma a um limite de recurso, mesmo que isso estenda o prazo.
Balanceamento (smoothing)
Suavizar os picos usando só a folga, sem alterar o término.
Produtividade
Físico entregue por Hh consumido. Hh acima do físico = produtividade abaixo do previsto.

Referências

Livros: Aldo Dórea Mattos — Planejamento e Controle de Obras (histograma de recursos) · PMI — PMBOK Guide (resource leveling & smoothing) · TCPO — composições e produtividade.

Fontes: Resource leveling · Resource histogram · ProjectEngineer — resource management.
← todos os artigos do Getsimplan