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Planejamento & Controle de Obras · Material de referência

Do avanço físico ao caixa da obra

O mesmo cronograma que diz "35% executado" carrega, escondido, a resposta que a diretoria e o banco realmente querem: quanto vai sair do caixa mês a mês, quando entra a medição — e quanto capital de giro isso exige. Sem manter uma segunda planilha.


💰 Físico-financeiro 📚 Aldo · PMI · capital de giro 🔗 aba Financeiro do Getsimplan
Físico (avanço) Venda / medição Desembolso (custo)
Uma forma em S, três leituras. A distância entre as curvas é diagnóstico puro: venda à frente do físico = medição adiantada; desembolso colado no físico = obra sendo paga conforme produz. A conversão sai toda do cronograma — se cada tarefa tem custo e preço.
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Três curvas na mesma forma

A curva S nasce física — avanço acumulado — mas a mesma malha de atividades carrega dois outros valores por tarefa: o preço de venda (quanto o contrato paga por aquilo) e o custo (quanto sai para executar). Distribuídos ao longo das durações e acumulados, viram três curvas que se leem em conjunto.

Curva física → % de obra executada (avanço ponderado) Curva de venda → faturamento acumulado pela medição (preço × físico) Curva de custo → desembolso acumulado (custo real / previsto) A diferença venda − custo, ao longo do tempo, é a margem se formando.

O ponto de ouro do PMBOK Construction Extension: os mesmos pesos servem a duas coisas — os valores do Valor Agregado e a medição que gera o faturamento. Não são duas contabilidades; é a mesma, lida de dois ângulos.

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Desembolso × recebimento: a defasagem

Aqui aparece o que a curva física esconde. Você gasta para executar (materiais, folha, equipamento) e só recebe depois — a medição é aprovada, faturada, e o pagamento cai 30, 60, às vezes 90 dias adiante. Entre o gasto e o recebimento existe um vão que a obra financia do próprio bolso.

É a diferença entre duas curvas: a de desembolso (custo, que anda com a produção) e a de recebimento (venda, deslocada para a frente pelo prazo de pagamento). Quanto maior o prazo, mais à direita a curva de recebimento, e mais fundo o buraco de caixa.

Por que isso mata obra saudávelUma obra pode ser lucrativa no papel (margem positiva) e ainda assim quebrar por caixa — se não tiver capital para atravessar o vão entre pagar os custos e receber as medições. Lucro é resultado; caixa é sobrevivência.

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O vale de caixa e o capital de giro

Some, mês a mês, tudo o que entrou menos tudo o que saiu: é a curva de caixa acumulado. Ela mergulha para o negativo (a obra está adiantando dinheiro) e só volta à tona quando os recebimentos alcançam os desembolsos. O fundo desse vale é o capital de giro que a obra exige. Arraste o prazo de recebimento e veja o vale afundar:

A área roxa abaixo de zero é o caixa que a obra precisa bancar. Mais prazo de recebimento = vale mais fundo = mais capital de giro. O ponto mais baixo é a necessidade máxima de caixa — o número que decide se a obra cabe no bolso da empresa.
Pior caixa
necessidade máxima de giro
Quando ocorre
mês do fundo do vale
Margem no fim
R$ 2,0 mi
venda 10 − custo 8
Vira positivo
caixa cruza o zero
Regra práticaSe o fundo do vale for maior do que o caixa disponível da empresa, a obra precisa de adiantamento contratual, mobilização ou antecipação de recebíveis — decidido no planejamento, não no susto do dia 20 sem dinheiro para a folha.
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Margem prevista × projetada

A margem contratual (venda − custo orçado) é uma promessa. O que importa é a margem projetada com o ritmo de custo real da obra — via o EAC do Valor Agregado. Se o custo está estourando (CPI < 1), a margem projetada cai abaixo da prevista, e o cronograma financeiro mostra isso enquanto ainda dá para reagir.

Margem prevista = Venda contratada − Custo orçado Margem projetada = Venda contratada − EAC (custo projetado no término) EAC = orçamento ÷ CPI · quando a projetada cai vs a prevista, o custo está corroendo o lucro.

É a diferença entre descobrir que a obra vai fechar no vermelho no mês 4 (dá para renegociar, cortar, acelerar) ou no mês 11 (na prestação de contas, tarde demais).

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Front-loading da medição

Um jogo antigo de obra: puxar valor para o início da medição — cobrar mais caro os serviços iniciais para faturar adiantado e melhorar o caixa. A curva de venda descola para cima da física. Alivia o giro no começo, mas cobra no fim: sobra pouco a faturar para muito a executar, e o caixa aperta justamente na reta final.

sinal de leitura
Venda acima do físico

Faturamento adiantado. Pode ser estratégia de caixa — ou um problema esperando o fim da obra, quando o executado passa o faturado.

sinal de leitura
Custo acima do físico

Está gastando mais rápido do que produz — compra antecipada de material, ou produtividade abaixo do previsto. O CPI confirma qual.

Cuidado com o desenhoFront-loading agressivo é um risco de desequilíbrio de fluxo reconhecido em contratos públicos (jogo de planilha). O cronograma físico-financeiro torna visível — e negociável — o quanto a curva de venda se afastou da física.

No seu dashboard

A aba Financeiro do Getsimplan monta tudo isto direto do seu cronograma — basta carregar custo e preço por atividade no .mpp:

  • As curvas de venda × custo em R$, previsto e realizado, sobre a mesma malha do físico.
  • O fluxo de caixa com prazo de recebimento configurável — e o pior caixa (a necessidade de giro) calculado automaticamente.
  • Margem prevista × projetada pelo EAC, com CPI, CV, ETC e VAC a cada medição.

Sobre os valores reconferidos de cada nó. É a planilha físico-financeira que você mantém à mão — só que gerada do cronograma, viva a cada medição, sem redigitar nada.

Quero ver o caixa da minha obra →
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Glossário & referências

Cronograma físico-financeiro
O cronograma físico com o valor (custo e/ou venda) distribuído por atividade — produz as curvas de desembolso e de faturamento.
Curva de desembolso
Custo acumulado ao longo do tempo — quanto sai do caixa para executar. Anda com a produção.
Curva de recebimento
Faturamento acumulado, deslocado para a frente pelo prazo de pagamento da medição.
Fluxo de caixa
Recebimento − desembolso, acumulado. Mergulha no negativo (a obra financia) e volta quando os recebimentos alcançam.
Capital de giro
O caixa necessário para atravessar o vão entre pagar custos e receber medições. O fundo do vale de caixa.
Margem projetada
Venda contratada − EAC (custo projetado). Antecipa o resultado real do contrato.
Front-loading
Puxar valor para o início da medição, para faturar adiantado. Alivia o caixa no começo, aperta no fim.

Referências

Livros: Aldo Dórea Mattos — Planejamento e Controle de Obras (cap. 14–15) · PMI — Construction Extension to the PMBOK Guide · Mattos / TCPO — orçamento e composição de custos.

Fontes: Project Control Academy — S-curves & cash flow · Fluxo de caixa · Working capital · EVM (margem projetada / EAC).
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