Planejamento & Controle de Obras · Material de referência
Onde acelerar para recuperar a obra
Recuperar prazo não é "mandar todo mundo correr". É saber qual atividade devolve mais dia por real gasto — e até onde comprimir antes de criar um gargalo novo. Caminho crítico, folga, DRAG e os dois jeitos de acelerar.
🔗 Caminho crítico · DRAG📚 O'Brien & Plotnick · Devaux · AACE🔗 aba Caminho Crítico do Getsimplan
O caminho crítico (vermelho) é a sequência mais longa — ela define o término. Atrasar uma tarefa dela atrasa a obra inteira. As de folga (azul) têm respiro; as quase-críticas (âmbar) estão a poucos dias de virar o novo crítico.
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O que o caminho crítico é (e não é)
O caminho crítico é a cadeia de atividades com folga zero — a sequência mais longa da rede, que determina a menor duração possível da obra. Encurtar a obra só é possível encurtando o caminho crítico. Tudo o que está fora dele tem folga: pode atrasar (até um limite) sem mexer no término.
O que ele não é: uma lista fixa. O caminho crítico muda conforme a obra anda — recuperou o crítico? Outra cadeia assume. Por isso ele precisa ser recalculado a cada medição, não olhado uma vez no início.
O "crítico" do Project pode mentirRestrições rígidas, calendários diferentes e vínculos com lag fazem o caminho crítico marcado pelo software divergir do caminho que de fato dirige o término (o longest path real). Numa obra com 40 tarefas "críticas", só 10–15 costumam dirigir mesmo o prazo — o resto é ruído de restrição.
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Folga: a que engana
A folga total é quantos dias uma tarefa pode atrasar sem empurrar o término. Folga alta parece conforto — mas folga que some medição após medição é o alarme mais precoce que existe. Quando a folga de uma frente cai de 20 → 8 → 3 dias, ela está prestes a virar crítica, e o atraso ainda nem apareceu na Curva S.
As quase-críticas — tarefas com folga baixa (ex.: ≤ 5 dias) — são o mapa de risco: qualquer escorregão nelas cria um caminho crítico novo. Uma obra saudável tem poucas; uma frágil tem 40% das tarefas abertas com folga mínima.
Folga total = data mais tarde − data mais cedo (sem atrasar o término)
Erosão de folga = a folga da mesma tarefa caindo entre medições → atraso chegando
Quase-crítica = tarefa aberta com folga ≤ limiar (ex.: 5 dias)
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DRAG: o custo real de cada tarefa no prazo
Aqui entra uma métrica que o MS Project e o P6 não dão: o DRAG (Devaux's Removed Alpha Gain). Ele responde: quantos dias a obra ganharia se esta atividade crítica levasse tempo zero? É a contribuição individual de cada tarefa crítica ao prazo total.
DRAG = min(duração restante da tarefa, menor folga das paralelas)
Uma tarefa crítica sem nada em paralelo tem DRAG = sua duração inteira.Com uma paralela de folga 3d, o DRAG é no máximo 3d — além disso, a paralela assume.
Multiplicado pelo custo do dia de atraso (multa contratual + custo indireto/dia), o DRAG vira dinheiro: quanto cada gargalo está custando ao seu prazo. É o que transforma "o caminho crítico está atrasado" em "esta tarefa está custando R$ X por dia — ataque ela primeiro".
Por que o DRAG muda a decisãoDuas tarefas críticas de 20 dias podem ter DRAG muito diferente: uma sem paralela (DRAG 20) e outra com uma quase-crítica ao lado (DRAG 4). Acelerar a primeira devolve até 20 dias; a segunda, só 4. Sem DRAG, você acelera no escuro.
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Simulador de compressão
Comprimir o caminho crítico (crashing) antecipa o término — mas só até a folga da próxima cadeia. Passou disso, ela vira o novo crítico e o ganho satura. Arraste e veja:
A barra vermelha (crítico) encolhe; a barra âmbar (a 2ª cadeia) fica parada. Quando as duas se igualam, comprimir mais não adianta — a âmbar assume o comando. É o ponto em que crashing deixa de valer a pena.
ResultadoArraste o controle acima.
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Crashing × fast-tracking
Há dois jeitos de recuperar prazo — com riscos opostos:
crashing
Acelerar comprando recurso
2º turno, equipe extra, hora extra na tarefa crítica. Custa dinheiro (mais R$ por dia recuperado), mas não muda a lógica. Priorize pela relação DRAG × custo de aceleração: onde 1 dia recuperado custa menos que 1 dia de atraso.
fast-tracking
Sobrepor o que era sequencial
Começar uma tarefa antes de a anterior terminar (FS → SS + lag). Não custa dinheiro direto, mas cria risco de retrabalho. Candidatas: vínculos FS na cadeia crítica que a lógica construtiva permite sobrepor.
A regra de ouro do fast-trackingNunca sobreponha o que a física proíbe. Forma → concretagem → cura não aceita paralelismo. Fast-tracking é lista de candidatos para o planejador avaliar — não um comando automático. Errar aqui troca prazo por retrabalho, o pior negócio da obra.
A ordem racional de recuperação: primeiro fast-tracking (recuperação "grátis" onde a sequência permite), depois crashing nas tarefas de maior DRAG por real — e sempre reconferindo a próxima cadeia, para não pagar por dias que a saturação não entrega.
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No seu dashboard
A aba Caminho Crítico do Getsimplan traz a suíte inteira direto do seu cronograma:
Longest path recalculado (o caminho que de fato dirige o término) e a divergência vs o "crítico" do arquivo.
DRAG por tarefa com o custo do atraso, quase-críticas, CPLI, e o simulador de compressão desta página.
Candidatos a fast-tracking (pares FS que aceitam sobreposição) e a erosão de folga entre medições, na aba Histórico.
DRAG, longest path e float paths não existem nativos no Project nem no P6. No Getsimplan saem do próprio arquivo.
A cadeia de folga zero que define a duração da obra. Encurtá-la é o único jeito de encurtar o prazo.
Folga total
Dias que uma tarefa pode atrasar sem empurrar o término.
Quase-crítica
Tarefa aberta com folga baixa — a um escorregão de virar o novo caminho crítico.
DRAG
Dias que a obra ganharia se a tarefa crítica levasse tempo zero. A contribuição dela ao prazo.
Crashing
Comprimir o prazo adicionando recurso à tarefa crítica. Custa dinheiro; satura na próxima cadeia.
Fast-tracking
Paralelizar o que era sequencial. Não custa direto, mas cria risco de retrabalho.
Referências
Livros: O'Brien & Plotnick — CPM in Construction Management · Stephen Devaux — Total Project Control (DRAG) · Aldo Dórea Mattos — Planejamento e Controle de Obras (cap. 8–13).